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Case #13 · BR · Peiser / Bertaud · HORIZONTAL PREMIUM

Fazenda Boa Vista

Porto Feliz, SP · 2007 · JHSF Participações

Quando você transforma 1.200 hectares de terra rural em endereço de R$ 50 milhões sem uma cidade ao redor, você prova que o endereço não é dado pelo entorno — é construído pela curadoria. A Fazenda Boa Vista não vende lotes: vende o direito de pertencer ao único clube que importa.
Terminal do Aeroporto Executivo Catarina (SJKN), em São Roque/SP — ativo JHSF vinculado à Fazenda Boa Vista
Aeroporto Executivo Catarina (SJKN) — o eixo aéreo do complexo Governo do Estado de São Paulo · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Fazenda Boa Vista em Imagens

As fotografias do empreendimento em si — villas, campos de golfe, Fasano, centro equestre — são proprietárias da JHSF e dos escritórios de arquitetura (Studio MK27, Isay Weinfeld, Triptyque). Não há fotos livres do complexo no Wikimedia Commons — atenção: as imagens lá rotuladas “Fazenda Boa Vista” são de outra fazenda homônima, histórica, de café, em Bananal/SP. O visual livre aqui é o Aeroporto Executivo Catarina (SJKN), ativo operado pela própria JHSF que forma o eixo aéreo do case — os ensaios oficiais completos do complexo estão nos links abaixo.

Fotos: Governo do Estado de São Paulo · Wikimedia Commons · licença CC BY 2.0. Ensaios oficiais do empreendimento (villas, golfe, equestre, Fasano): fazendaboavista.jhsf.com.br.

Onde Fica

Km 102,5 · Rodovia Castello Branco (SP-280) · Porto Feliz, SP Abrir no Maps

Contexto geográfico: Porto Feliz está a ~100 km de São Paulo pela Castello Branco (SP-280), uma das rodovias pedagiadas mais bem conservadas do estado. O trecho leva 1h10–1h40 dependendo do tráfego. O Aeroporto Executivo Catarina (São Roque, SJKN), operado pela própria JHSF, fica a ~15 minutos do complexo — criando um eixo aéreo complementar para moradores que chegam de helicóptero ou jato particular. Porto Feliz tem ~45.000 habitantes; a Fazenda Boa Vista é o maior ativo imobiliário do município.

Descrição do Projeto

Âncora teórica: Alain Bertaud · Order Without Design + Peter Calthorpe · Urbanism in the Age of Climate Change

Dados Técnicos Verificados

Área total do complexo12 milhões de m² (1.200 hectares)
Área de mata e lagos3 milhões de m² (25% da área total)
Lotes totais — Fazenda (zona 1)~885 lotes
Lotes — Boa Vista Estates (zona 3)~300 estâncias (7.000–80.000 m² cada)
Capacidade projetada (complexo completo)Até 45.000 moradores
LocalizaçãoKm 102,5 Castello Branco, Porto Feliz/SP
Distância de São Paulo~100 km / 1h10–1h40 pela SP-280
VGV Fazenda + Village (ano 2020)R$ 1,145 bi (R$ 848M + R$ 297M)
VGV Boa Vista EstatesR$ 5,5 bilhões (lançado 2020)
Preço de entrada — casas prontasR$ 4,9 milhões (457 m², 5 suítes)
Preço de mansõesR$ 15 a R$ 50+ milhões
LançamentoFinal de 2007 (terra montada em 15 anos)

Incorporação e Infraestrutura Principal

IncorporadoraJHSF Participações S.A. (família Auriemo, IPO 2007)
Origem da terraFazenda da família Auriemo + 15 anos de aquisições adjacentes
Golfe — Campo 1Arnold Palmer Design Co. — 18 buracos
Golfe — Campo 2Randall Thompson — 18 buracos
Polo2 campos internacionais + cavalariças para 200 cavalos
Centro EquestreIsay Weinfeld Arquitetos — arena coberta + pistas de grama e areia
Circuito de triathlon3,4 km ininterruptos — 1º circuito privado da América Latina
Hotel & SPAFasano (parceria JHSF + Grupo Fasano) — ~R$ 5.000/noite
Heliporto6 helipads + lounge VIP (Hotel Fasano)
Aeroporto vinculadoAeroporto Catarina (SJKN, São Roque) — operado pela JHSF
Escola previstaPorto Seguro trilíngue (PT/EN/DE) no Village — inauguração 2027
Sports Clubhouse1.785 m² — piscina semi-olímpica coberta, quadras, academia Technogym

As 3 Zonas do Complexo + Expansão

Fazenda Boa Vista
Zona original (2007). ~885 lotes. Mais de 200 residências entregues. Golfe, polo, equestre, Fasano hotel em operação. A zona mais consolidada — é a referência do complexo.
Boa Vista Village
Zona de apartamentos e mix-use — público jovem-executivo. Menor ticket: a partir de R$ 2,2 milhões. Wave pool, escritórios, restaurantes. Em desenvolvimento ativo. Escola Porto Seguro prevista para 2027.
Boa Vista Estates
Zona mais exclusiva, lançada em 2020. 6,6 milhões de m² adicionais. ~300 estâncias com lotes de 7.000–80.000 m². VGV de R$ 5,5 bilhões. Produto para quem quer uma "fazenda dentro da fazenda".
4ª Zona (sem nome)
JHSF adquiriu 6,1 milhões de m² adicionais por R$ 140 milhões (~2022). VGV estimado em ~R$ 5 bilhões. Produto não definido. Demonstra que o modelo segue em expansão orgânica.

Arquitetos e Tipologias Residenciais

Villas Fasano (Golfe/Lago/Tênis)
Marcio Kogan / Studio MK27 · 5 villas de 462 m² em lotes de 2.100–2.600 m². Minimalismo rigoroso com máxima exposição à paisagem de campo e golfe.
Villas Fasano (Polo/Hotel)
Isay Weinfeld Arquitetos · 9 villas de 384 m² em dois pavimentos, 3 suítes. Linguagem vernacular contemporânea. Integradas ao entorno do centro equestre.
Boa Vista Residences
Triptyque Architecture · 800–1.500 m² em terrenos de 3.500–22.000 m². Concreto, madeira e integração paisagística. Referência no segmento de alto padrão rural.
Sports House
Triptyque Architecture · 457–579 m² integradas ao 1º Circuito Privado de Triathlon da América Latina (3,4 km). Vistas para lagos. Foco no morador ativo.
Residências da Mata
Gui Mattos · 370–430 m² em 3 pavimentos. Privacidade máxima — cercadas por mata nativa. Home theater incluso. Para o comprador que quer o máximo de isolamento.
Villas do Palmer
Carolina Maluhy + Isis Chaulon · 13 villas de 270 m². Vista para lago e jardim de golfe. Menor metragem do portfólio — maior integração paisagística por m².
Country Houses
Felipe Diniz · 4 tipologias (Barn, Fire, Garden, Stone) · 664–814 m². Estética de fazenda contemporânea. As maiores plantas do portfólio. Voltadas para o comprador familiar.
Estâncias
Projetos sob medida · Terrenos de 7.000 a 80.000 m². O comprador contrata seu próprio arquiteto dentro de diretrizes do complexo. Produto mais exclusivo — sem comparável de preço por m².

A maioria das tipologias está marcada como "100% VENDIDO" no site oficial. O mercado secundário é ativo — com preços muito superiores ao lançamento original.

Mecanismo

O contexto: o problema do endereço em São Paulo

A saturação do condomínio de entorno urbano: nos anos 2000, São Paulo havia esgotado a fórmula "Alphaville": condomínio fechado com guarita, clubhouse, escola e comércio interno em raio de 10 km do trabalho. O produto havia sido comoditizado — dezenas de empreendimentos com a mesma equação de valor. A diferenciação por metragem tinha teto: a partir de certo ponto, comprar mais m² não compra status adicional.

O surgimento do "clube escasso": a elite de São Paulo procurava um endereço que poucos pudessem ter — não apenas pela renda, mas pela impossibilidade de replicação. A Fazenda Boa Vista foi construída sobre essa escassez: 1.200 hectares, dois campos de golfe de assinatura internacional, um hotel Fasano, e um centro equestre desenhado por Isay Weinfeld. Nada disso pode ser copiado numa gleba urbana de 10 hectares.

O timing da pandemia: lançada em 2007, a Fazenda Boa Vista cresceu lentamente por mais de uma década. O salto veio em 2020: a pandemia forçou a classe A+ a redescobrir moradia permanente de campo. A JHSF vendeu R$ 848,4 milhões no projeto principal e R$ 297,5 milhões no Village em um único ano — crescimento de 228,5% em vendas contratadas. O produto já existia; a demanda é que mudou.

O mecanismo central — curadoria como barreira de entrada

A Fazenda Boa Vista opera um mecanismo que Bertaud chamaria de "coordenação de usos pela reputação". Não há zoneamento formal — há curadoria. A JHSF decide quem entra, qual arquiteto assina cada tipologia, qual marca de hospitalidade opera o hotel. Esse controle vertical de toda a cadeia de valor gera quatro efeitos simultâneos:

1. Apreciação auto-referencial: quanto mais moradores de alto perfil escolhem a Fazenda, mais valiosa ela se torna para o próximo comprador. Os nomes dos residentes — Roberto Campos Neto, Guilherme Benchimol, Cristina Junqueira, José Auriemo Neto — são o ativo mais valioso. Não a infraestrutura em si.

2. Impossibilidade de comparação por m²: comprar na Fazenda não é comprar metros quadrados — é comprar pertencimento a um clube com entrada controlada. O preço é irrelevante por m²; o que o comprador adquire é a garantia de que seu vizinho tem renda e reputação equivalentes.

3. Arquitetura como sinalização de qualidade: ao contratar Marcio Kogan, Isay Weinfeld e Triptyque para as tipologias internas, a JHSF criou uma galeria permanente de arquitetura brasileira contemporânea. O complexo virou destino de visitação para arquitetos e compradores potenciais — a "galeria" gera tráfego qualificado sem custo de marketing.

4. Infraestrutura de clube, não de condomínio: dois campos de golfe de 18 buracos com assinatura de Arnold Palmer e Randall Thompson, dois campos de polo internacionais, centro equestre para 200 cavalos, circuito privado de triathlon de 3,4 km. São equipamentos que custam dezenas de milhões para implantar e não existem em menor escala. Nenhum outro empreendimento residencial do Brasil oferece essa combinação.

O que diferencia da Alphaville — a diferença fundamental

"Não é Alphaville nem Mangaratiba: condomínio da elite tem lago, aeroporto e mansões de R$ 50 mi."

→ O posicionamento na mídia é deliberado: a Fazenda Boa Vista se define pelo que não é — não é condomínio de executivo paulistano de classe média alta (Alphaville), não é resort de veraneio de praia (Mangaratiba). É uma categoria própria, sem concorrente direto no Brasil.

— Portal 6, março 2026

Alphaville (1973 · Barueri): nasceu como bairro de uso misto com escritórios, comércio e residências. É uma cidade funcional — executivos moram e trabalham no mesmo perímetro. O produto é comparável a outros endereços da Grande SP. Tem concorrência direta em dezenas de empreendimentos similares em todo o Brasil. Preço médio: R$ 8.000–15.000/m² nos condomínios mais caros.

Fazenda Boa Vista (2007 · Porto Feliz): não tem escritórios, não tem comércio de rua, não tem alternativa de produto. É integralmente lazer e residência de alto padrão. O preço não é calculado por m² — é calculado pelo custo de replicação (que é proibitivo). Não há concorrente direto no Brasil.

A diferença estrutural: Alphaville compete com outros endereços pelo morador. A Fazenda Boa Vista compete com o exterior — com Greenwich (Connecticut), Palm Beach, e os grandes ranch developments dos EUA — pelo comprador que poderia estar em outro país. A Revista Veja a posiciona como "o condomínio mais caro do Brasil"; a Bloomberg como "o Greenwich brasileiro".

Como criou endereço premium do zero — em área sem história

Porto Feliz não era referência em nada antes da Fazenda Boa Vista. Não tinha turismo, não tinha densidade econômica, não tinha história imobiliária. A JHSF criou o endereço por quatro movimentos sequenciais:

Movimento 1 — Âncora de hospitalidade premium: o Hotel Fasano foi o primeiro ativo a entrar em operação. Um hotel Fasano com diárias de ~R$ 5.000/noite cria uma referência de qualidade que o mercado entende antes de qualquer argumento imobiliário. Quem paga R$ 5.000/noite para ficar lá pode pagar R$ 15 milhões para morar lá.

Movimento 2 — Equipamentos de clube exclusivo: dois campos de golfe de assinatura, dois campos de polo internacionais e um centro equestre para 200 cavalos são ativos que custam dezenas de milhões e não se replicam em menor escala. Criam uma barreira de entrada pelo lado do produto — não pelo lado do preço.

Movimento 3 — Curadoria arquitetônica visível: ao publicar o nome do arquiteto de cada tipologia — Kogan, Weinfeld, Triptyque, Gui Mattos — a JHSF transformou o complexo em galeria de arquitetura. O comprador não compra uma casa: compra uma Kogan, uma Weinfeld, uma Triptyque. A linguagem de mercado de arte foi transplantada para o imobiliário.

Movimento 4 — Controle da narrativa na mídia financeira: a cobertura de Bloomberg Línea, Exame e Veja posiciona a compra como investimento, não consumo. Isso atrai o perfil que torna o produto mais exclusivo — e o ciclo se reforça: quanto mais exclusivo, mais valioso; quanto mais valioso, mais cobertura financeira.

Críticas e limitações reais

Distância de São Paulo — o custo oculto: 100 km pela Castello Branco é 1h10 no melhor cenário — e 2h30 na sexta-feira à tarde. Para moradia permanente, isso implica uma escolha radical de vida: o morador precisa ter autonomia total de horário (CEO, investidor, aposentado). Na prática, estima-se que a maioria usa o complexo como segunda residência de fim de semana.

Dependência de aviação executiva: o heliporto do Hotel Fasano (6 pads) e o Aeroporto Catarina a 15 minutos resolvem o problema de distância para quem tem acesso a helicóptero ou jato. Para os demais, a Castello Branco é o único eixo de acesso — e é suscetível a acidentes, obras e tráfego de caminhões.

Ausência de serviços urbanos: Porto Feliz não tem hospitais de alta complexidade, universidades, ou infraestrutura urbana compatível com o padrão de consumo dos moradores. Toda demanda por saúde especializada ou cultura retorna para São Paulo. A escola Porto Seguro anunciada para 2027 no Village é o primeiro passo para mudar isso.

Custo de manutenção em propriedade subutilizada: manter casas de 457–1.500 m² em área rural exige equipe doméstica permanente, manutenção extensiva de jardins, segurança e condomínio. Para moradores que usam a propriedade 10–15 fins de semana por ano, o custo por uso é elevado.

Risco regulatório e ambiental: em 2024, a Justiça embargou obras de expansão do complexo por questões ambientais (noticiado pelo Seu Dinheiro / JHSF3). O complexo está em área com remanescentes de Mata Atlântica e mananciais — o crescimento contínuo enfrenta resistência crescente de órgãos ambientais e de vizinhos.

Liquidez estreita no mercado secundário: imóveis de R$ 15–50 milhões têm um mercado comprador extremamente restrito. Em um momento de necessidade de liquidez, o tempo de venda pode ser de meses a anos. É um ativo de clube, não de mercado amplo.

Dado não confirmado — não usar "Helbor e Cury como incorporadoras" não foi confirmado por nenhuma fonte pesquisada. A Fazenda Boa Vista é produto exclusivo da JHSF Participações S.A. (família Auriemo). Helbor e Cury são incorporadoras paulistanas com foco em produto médio-alto, sem vínculo documentado com este complexo.

Aplicação no Ecossistema JR

Pattern Extraído
Curadoria como Criadora de Endereço

Quando você controla verticalmente o que entra num complexo residencial — quem são os arquitetos, qual é o hotel, quem são os vizinhos — você transforma metros quadrados em clube. A Fazenda Boa Vista prova que o endereço não precisa ser herdado de uma cidade existente: pode ser construído do zero pela curadoria das marcas que ele abriga. Isso redefine o que é um "endereço premium" no interior do Brasil.

O que este case ensina para avaliar empreendimentos — Brasil nacional

CritérioO que buscar no empreendimentoSinal de alerta
Âncora de hospitalidade O projeto tem uma âncora de marca reconhecida que cria referência de qualidade antes da venda? Um Fasano, um Six Senses, um Boa Vista Spa com nome — algo que justifica o preço do m² antes do primeiro lote ser vendido e que gera cobertura de mídia espontânea. Clubhouse do próprio condomínio como principal argumento de venda
Escala de terreno mínima O modelo de "clube rural premium" precisa de ao menos 200–500 hectares para criar a sensação real de isolamento e exclusividade. Abaixo disso, os equipamentos ficam próximos demais e a leitura de raridade se perde. A Fazenda tem 1.200 ha — a referência mínima é menor, mas a escala importa. Gleba menor que 50 ha com promessa de "resort lifestyle" rural
Curadoria arquitetônica visível Os projetos internos têm arquitetos de assinatura nacional ou internacional identificados por nome? A curadoria arquitetônica cria argumento de valor que o mercado secundário sustenta — mesmo que o comprador nunca visite ArchDaily. O nome do arquiteto é parte do ativo. Projeto único sem variações de linguagem ou sem crédito arquitetônico explícito nos materiais de venda
Infraestrutura de clube, não de condomínio A infraestrutura de lazer tem custo de replicação proibitivo? Campo de golfe de assinatura (R$ 20–50 milhões de implantação), polo internacional, equestre de 200 cavalos — são equipamentos que não existem em menor escala. Se o concorrente consegue replicar o lazer com R$ 5 milhões, não é clube. Quadras de esporte e piscina como diferencial principal de produto
Público com autonomia de deslocamento O ICP do projeto é CEO, investidor, aposentado de alto patrimônio, médico ou advogado com horário próprio? Moradia permanente a 100 km de São Paulo só funciona para quem não depende de horário fixo. O comprador errado gera revenda em 3 anos e deprecia a narrativa do produto. Projeto vendido como "moradia permanente" sem infraestrutura de escola e saúde no local ou em raio de 15 minutos
Controle da narrativa financeira A incorporadora tem capacidade de gerar cobertura em mídia financeira (Bloomberg, Exame, Valor) que posiciona a compra como investimento, não consumo? Isso atrai o perfil que aprecia o produto e o torna mais exclusivo — um ciclo de reforço positivo que reduz o custo de vendas. Comunicação focada apenas em portais imobiliários populares e redes sociais de alcance amplo

Onde no Brasil esse modelo pode funcionar

Litoral de Santa Catarina (Itajaí, Barra Velha, Balneário Piçarras, área rural de Florianópolis): crescimento real de comprador de alto patrimônio, acesso aéreo consolidado pelo Aeroporto de Navegantes, e glebas rurais disponíveis a 15–30 km da costa. O modelo "clube rural premium com âncora de hospitalidade" ainda não existe em SC — janela aberta.

Interior de Goiás / Mato Grosso (próximo a Goiânia, Cuiabá): glebas enormes e baratas, clima de campo, público agro-empresarial com altíssimo patrimônio mas sem opção de produto de clube premium nacional. O pool de compradores é diferente do paulistano, mas o apetite por exclusividade — e a escala de capital — é equivalente ou superior.

Serra Gaúcha (Gramado, Canela, Bento Gonçalves): narrativa de destino premium consolidada com turismo de alto padrão. O modelo aqui seria inserir curadoria arquitetônica e âncora de hospitalidade em glebas maiores — ampliar o que já existe de resort para clube residencial permanente.

O que NÃO funciona: litoral nordestino 100% dependente de segunda residência sazonal de praia (o modelo é diferente — o praiano é lazer episódico, não clube); municípios sem acesso rodoviário de qualidade; projetos onde a incorporadora não tem capacidade de sustentar a âncora de hospitalidade com capital próprio nos primeiros 5–7 anos antes que as vendas de lotes capitalizem o projeto.

Siglas e Termos-Chave

JHSF
JHSF Participações S.A. — incorporadora e gestora de ativos fundada em 1972 pela família Auriemo. IPO em 2007 (JHSF3). Foco exclusivo no segmento de altíssima renda. Shopping Cidade Jardim, hotéis Fasano e Fazenda Boa Vista são seus principais ativos.
VGV
Valor Geral de Vendas — receita total potencial de um empreendimento (total de unidades × preço médio). Principal métrica de tamanho de projeto no Brasil. O complexo Boa Vista acumula mais de R$ 12 bilhões em VGV entre as diferentes zonas lançadas.
Estância
Tipologia de maior porte na Fazenda Boa Vista — lotes de 7.000 a 80.000 m² para projeto arquitetônico sob medida. O comprador contrata seu próprio arquiteto dentro de diretrizes de design do complexo. É o produto mais exclusivo e menos padronizado.
Castello Branco
Rodovia SP-280 — principal eixo viário entre São Paulo e o interior oeste do estado, operada pela CCR ViaOeste. Considerada uma das melhores rodovias pedagiadas do Brasil. Liga a capital à Fazenda Boa Vista em ~100 km.
Arnold Palmer Design Co.
Empresa de design de campos de golfe fundada pelo campeão Arnold Palmer (1929–2016), um dos maiores golfistas da história. Um campo assinado é, no universo do golfe, equivalente a uma casa assinada por um arquiteto premiado — é argumento de venda, não apenas infraestrutura.
Polo
Esporte equestre jogado em equipes de 4 cavaleiros em campo de grama de 270 × 180 m (maior campo de esporte coletivo do mundo). Requer cavalo treinado (pony de polo), cavalariças especializadas e ground staff. Símbolo histórico de aristocracia rural e alta renda.
Aeroporto Catarina
São Paulo Catarina Aeroporto Executivo (SJKN), localizado em São Roque/SP, operado pela própria JHSF. Único aeroporto executivo do Brasil com certificação IS-BAH e integração à rede Air Elite. Conecta a Fazenda Boa Vista a São Paulo em ~15 minutos de helicóptero.
IS-BAH
International Standard for Business Aircraft Handling — certificação de segurança para operações de aviação executiva, reconhecida internacionalmente. Obtida pelo Aeroporto Catarina, garante padrão de handling de jatos e helicópteros equivalente ao de aeroportos executivos de referência mundial.
Triptyque Architecture
Escritório franco-brasileiro com sede em São Paulo e Paris, fundado em 2000. Reconhecido por integrar vegetação como sistema estrutural (Bio-facade). Responsável pelo Boa Vista Residences e Sports House. Referência em arquitetura residencial de alto padrão no Brasil e na Europa.
Isay Weinfeld
Arquiteto e cineasta paulistano — um dos mais premiados do Brasil. Assina o Centro Equestre e as Villas Fasano do Polo/Hotel. Linguagem minimalista com referência ao modernismo brasileiro e à arquitetura vernacular. Projetos publicados nas principais revistas de arquitetura do mundo.
Marcio Kogan
Arquiteto paulistano e fundador do Studio MK27. Referência global em residências de alto padrão — projetos publicados em todas as principais revistas de arquitetura internacionais. Assina as Villas Fasano do Golfe, Lago e Tênis na Fazenda Boa Vista.
Clube vs Condomínio
Distinção conceitual central deste case. Condomínio = conjunto de unidades com infraestrutura compartilhada e curadoria mínima — o preço é calculado por m². Clube = comunidade com curadoria de quem entra, o que existe no espaço e como o espaço é usado — o preço não se compara por m².
Fasano
Grupo Fasano — operador de hotéis e restaurantes ultrapremiados fundado por Rogério Fasano em São Paulo. Presença em SP, Rio, Trancoso, Buenos Aires, Punta del Este, Miami, Londres. Fasano Boa Vista é o único resort rural do grupo no Brasil — confere âncora de marca ao complexo.
ICP
Ideal Customer Profile — perfil do cliente ideal. Na Fazenda Boa Vista: CEO ou fundador de empresa, investidor de alto patrimônio, ou aposentado de renda elevada. Baseado em São Paulo. Com autonomia de horário — sem dependência de escritório fixo 5 dias por semana. Apetite por status e lifestyle rural exclusivo.

Assistir Antes ou Durante o Estudo

Onde Estudar — Links Verificados

Fontes Primárias

Análises de Mercado — LEITURA ESSENCIAL

Arquitetura e Design

Status dos Principais Claims

AfirmaçãoStatusObservação
Área total de 1.200 hectares (12 milhões de m²)✓ VERIFICADOMúltiplas fontes primárias e jornalísticas convergem
3 milhões de m² de mata nativa e lagos✓ VERIFICADOSite oficial JHSF + Bloomberg
Dois campos de golfe 18 buracos (Arnold Palmer + Randall Thompson)✓ VERIFICADOSite oficial JHSF + múltiplas fontes jornalísticas
Centro Equestre projetado por Isay Weinfeld✓ VERIFICADOSite JHSF + Silvana Carvalho + Whitewall
Villas Fasano (Golfe/Lago/Tênis) por Marcio Kogan✓ VERIFICADOSite JHSF + múltiplas fontes de arquitetura
Villas Fasano (Polo/Hotel) por Isay Weinfeld✓ VERIFICADOSite JHSF confirmado
Boa Vista Residences + Sports House por Triptyque Architecture✓ VERIFICADOSite JHSF + Silvana Carvalho
~885 lotes totais (zona Fazenda original)✓ VERIFICADOExame 2020: "885 total lots". Bloomberg Línea 2023: ~900.
VGV Fazenda + Village = R$ 1,145 bi (2020)✓ VERIFICADOExame 2020 com dados financeiros da JHSF: R$ 848,4M + R$ 297,5M
VGV Boa Vista Estates = R$ 5,5 bilhões✓ VERIFICADOBrazil Journal com citação direta do CEO da JHSF
Heliporto com 6 helipads no Hotel Fasano✓ VERIFICADOSite JHSF + fonte de infraestrutura turística
Circuito de triathlon de 3,4 km — 1º privado da América Latina✓ VERIFICADOSite oficial JHSF
Cavalariças para 200 cavalos✓ VERIFICADOSite oficial JHSF
"Helbor e Cury como incorporadoras do projeto"✗ NÃO CONFIRMADONenhuma fonte vincula essas empresas ao projeto. Incorporadora é exclusivamente JHSF.
Capacidade projetada de 45.000 moradores⚠ PROJEÇÃOBloomberg Línea 2023 — dado prospectivo para o complexo completo, não estado atual
Escola Porto Seguro trilíngue prevista para 2027⚠ ANUNCIADOAnúncio verificado em fontes 2024–2025. Inauguração ainda pendente de confirmação.
Embargo de obras por questões ambientais (2024)✓ VERIFICADOSeu Dinheiro: "Justiça embarga obras de complexo bilionário da JHSF (JHSF3)"
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