A Empresa que Fotografa o Mercado
O CoStar é um case de dado, não de tijolo — o "objeto" aqui é um banco de dados de 39 anos, que não se fotografa. O visual livre disponível são as sedes da empresa e a cidade onde a coleta começou. A ironia é deliberada: a empresa que tira ~1 milhão de fotos de prédios por ano protege as próprias imagens com watermark e processos — por isso quase nada do acervo dela circula em licença livre. O acervo é o produto.
Clique para ampliar. Fotos sob licença livre (Wikimedia Commons — CC BY / CC BY-SA / Domínio Público).
A Empresa em Números Verificados
CoStar Group hoje (NASDAQ: CSGP)
A máquina de coleta (o produto de verdade)
Aquisições — comprando os canais, nunca vendendo o dado
Linha do Tempo — 1987 a 2026
Andrew Florance, ainda estudante de economia em Princeton, funda a Realty Information Group em Washington, D.C. O insight: mercados financeiros tinham dado em tempo real; o imobiliário comercial não tinha nada. Começa a digitalizar, fotografar e catalogar prédios de escritórios um a um — distribuindo o banco de dados em disquete.
IPO na Nasdaq como CoStar Group — capta US$ 22,5 milhões. A ação sai a ~US$ 9. O modelo: assinatura recorrente de acesso ao banco de dados, nunca venda do dado em si.
Perde o caso CoStar v. LoopNet no 4º Circuito: LoopNet, como provedor passivo, não é diretamente responsável por fotos do CoStar postadas por usuários. A derrota vira doutrina de guerra: dali em diante, o CoStar processa quem usa — não a plataforma. Desde 2004, são pelo menos 31 processos federais contra usuários e concorrentes (levantamento The Real Deal, 2016).
Compra o LoopNet por US$ 860 milhões — o concorrente que não conseguiu derrubar no tribunal, compra no M&A. O maior marketplace vira vitrine; o banco de dados CoStar continua sendo o cofre.
Apartments.com (US$ 585 mi) e Apartment Finder (US$ 170 mi) levam o modelo para multifamily. Em 2016, centraliza a operação de pesquisa em Richmond, Virginia. Receita 2015: US$ 712 milhões; valor de mercado passa de US$ 7 bilhões.
Processa a Xceligent, sua única concorrente direta em dados comerciais, por violação de copyright em escala (agentes offshore copiando a base). A Xceligent quebra em dezembro de 2017; em 2019 o CoStar obtém julgamento de US$ 500 milhões — recebe US$ 10,75 mi dos seguradores, o maior acordo de imagem com copyright já registrado. Em outubro de 2019, compra a STR por US$ 450 milhões.
Ten-X, Homesnap, Homes.com e OnTheMarket entram no grupo. Processa a CREXi por copiar ~50 mil imagens. Pico de valor: ~US$ 35,7 bilhões no fim de 2023.
Lança a maior campanha de marketing da história do setor: US$ 1 bilhão no Homes.com, com 4 anúncios no Super Bowl, para atacar o Zillow no residencial. A Move Inc. (Realtor.com/News Corp) processa por segredo industrial — e desiste do caso sem receber nada após ter a liminar negada.
Conclui Matterport (~US$ 1,6 bi, fev) e Domain Austrália (A$ 3,0 bi, ago). Em junho, o 9º Circuito revive a contra-ação antitruste da CREXi: a tese de que o CoStar monopoliza o mercado de dados imobiliários comerciais é "plausível" e vai a julgamento. Em julho, processa o Zillow por 46 mil imagens com watermark. Receita: US$ 3,25 bi; lucro líquido: só US$ 7 milhões.
O mercado cobra a conta da aposta residencial: a ação cai ~63% em 12 meses e o market cap recua para ~US$ 12 bilhões (julho). O moat de dados comerciais segue intacto — a dúvida é se ele financia a guerra contra o Zillow sem sangrar o acionista.
Mecanismo — Por que Dado Compõe como Juros
O ponto de partida: um mercado de trilhões sem dado
"I could see what Treasury was doing this morning versus this afternoon… what a stock index was doing right now versus six seconds ago. There was just nothing for real estate."
→ "Eu conseguia ver o que o Tesouro estava fazendo de manhã versus à tarde… o que um índice de ações estava fazendo agora versus seis segundos atrás. Para o imobiliário, simplesmente não existia nada."
— Andy Florance, sobre o insight de 1986–87 em Princeton · Washingtonian, 2013
A asimetria fundadora: em 1987, o mercado imobiliário comercial americano operava por telefonemas, fichários e boatos de corretor. Cada player enxergava só o próprio pedaço. Florance percebeu que quem construísse a visão do todo — endereço por endereço, andar por andar, contrato por contrato — não teria um produto: teria o mapa do mercado. E mapa de mercado se aluga para sempre, nunca se vende.
O método era braçal de propósito: fotografar cada prédio, medir cada laje, ligar para cada locatário, registrar cada transação. O que parecia ineficiência (por que não esperar o dado público?) era a estratégia: o dado que não existe em lugar nenhum não pode ser comprado por concorrente nenhum. Só pode ser recoletado — e recoletar custa os mesmos 39 anos.
As quatro engrenagens do moat
1. Compounding — o dado de hoje vale mais por causa do dado de ontem: um aluguel registrado em 2026 vale pouco sozinho. Contra a série do mesmo prédio desde 1990, vira curva de mercado: tendência, sazonalidade, ciclo. Cada registro novo valoriza todos os anteriores — é a definição de juros compostos aplicada a informação. Concorrente que começa hoje não está "atrás": está estruturalmente impossibilitado de ter a série histórica.
2. O registro do que NÃO aconteceu: a base do CoStar guarda também o espaço que ficou vago, o preço pedido que não fechou, o listing retirado. O mercado inteiro só publica sucesso; o CoStar registra o fracasso — e vacância, desconto e tempo-em-oferta são exatamente os dados que precificam risco. Quem só tem o dado das transações fechadas tem metade do mercado.
3. Assinatura + watermark + tribunal = enforcement: o modelo é acesso por assinatura (nunca venda), cada foto carrega watermark rastreável, e o jurídico processa sistematicamente quem copia — 31 processos federais desde 2004, Xceligent levada à falência, CREXi e Zillow no tribunal agora. O moat não se defende sozinho: o CoStar transformou copyright de foto em arma de guerra competitiva.
4. Dado no cofre, marketplace na vitrine: LoopNet, Apartments.com e Homes.com são as vitrines que geram tráfego, receita de anúncio — e mais dado comportamental que realimenta o cofre. A arquitetura é circular: o dado torna o marketplace melhor, o marketplace coleta mais dado. Concorrentes têm um ou outro; o CoStar fecha o ciclo.
A barreira de entrada, na voz de um concorrente
"Nobody can wake up tomorrow and say, 'I'll have 1,200 researchers' — it is a huge barrier to entry."
→ "Ninguém pode acordar amanhã e dizer: 'eu terei 1.200 pesquisadores' — é uma barreira de entrada gigantesca."
— Richard Sarkis, cofundador da Reonomy (concorrente em dados imobiliários) · The Real Deal, 2016
Note o que Sarkis está dizendo: a barreira não é o software, não é o capital, não é a marca. É a operação humana de coleta acumulada no tempo. Capital compra servidores em semanas e engenheiros em meses — mas não compra 39 anos de telefonemas, fotos e registros. O tempo é o único insumo que não tem mercado spot. Por isso dado proprietário longitudinal é o moat preferido da Banca da IA da Távola: na era em que modelos de IA são commodity, o dado exclusivo que os alimenta é o que resta de defensável.
O lado sombrio: quando o moat vira alegação de monopólio
A litigância como estratégia documentada: o perfil da The Real Deal (2016) — apelidado internamente de "cruzada" do CoStar — contabilizou ao menos 31 processos federais desde 2004 contra usuários e concorrentes. A Xceligent, única rival direta em dados comerciais, quebrou em 2017 sob o peso do litígio; o julgamento de US$ 500 milhões veio depois da falência. Funciona — e cria inimigos.
A contra-ação da CREXi (2025): ao processar a CREXi por copiar imagens, o CoStar recebeu de volta uma contra-ação antitruste: a alegação de que monopoliza o mercado de informação imobiliária comercial e usa copyright para sufocar concorrência. Em junho de 2025, o 9º Circuito considerou a tese "plausível" e mandou o caso a julgamento — o CoStar recorreu à Suprema Corte. Ainda é alegação, não condenação. Mas é o risco clássico do moat perfeito: a mesma vantagem que o investidor celebra, o regulador investiga.
O preço da segunda guerra: a tentativa de repetir o playbook no residencial (Homes.com contra o Zillow) consumiu US$ 1 bilhão em marketing em 2024 e comprimiu o lucro líquido de 2025 para US$ 7 milhões. O mercado respondeu: ação caiu ~63% em 12 meses. Lição dentro da lição: o moat de dados comerciais é real; a marca de consumo residencial é outra guerra, com outras regras — lá o moat do Zillow é audiência, não dado.
Acertos e Erros
A síntese honesta — o que funcionou e o que está custando caro. Detalhes e fontes nas seções acima e na Verificação.
- Coletou antes de existir demanda: começou a catalogar em 1987, uma década antes da internet comercial — quando o dado virou ouro, ele já tinha 10 anos de série que ninguém mais tinha.
- Nunca vendeu o ativo, só o acesso: assinatura recorrente desde o disquete. O dado nunca sai do cofre — receita composta sobre ativo que compõe.
- Registrou o fracasso, não só o sucesso: vacância, preço pedido, listing retirado. O dado negativo é o que precifica risco — e é o mais difícil de replicar.
- Comprou as vitrines, guardou o cofre: LoopNet (US$ 860 mi) e Apartments.com (US$ 585 mi) viraram canais que realimentam a base — ciclo fechado dado→audiência→dado.
- Defesa jurídica sistemática do ativo: watermark + copyright + 31 processos. Concorrente que copiava (Xceligent) faliu; quem copia hoje (CREXi, Zillow) está no tribunal.
- A aposta residencial queima o caixa do moat: US$ 1 bi de marketing no Homes.com (2024) → lucro líquido 2025 de US$ 7 milhões. Contra o Zillow, o moat relevante é audiência — e essa guerra o dado não vence sozinho.
- O mercado cortou o valor pela metade e mais: de ~US$ 35,7 bi (fim de 2023) para ~US$ 12 bi (jul/2026), queda de ~63% em 12 meses. Moat intacto não imuniza contra alocação de capital questionada.
- A litigância virou passivo antitruste: o 9º Circuito reviveu a contra-ação da CREXi (jun/2025) — a tese de monopólio vai a julgamento e a Suprema Corte foi acionada. O enforcement do moat agora corre risco regulatório.
- Reputação de "cruzada" tem custo: processar os próprios usuários (31 ações desde 2004) protege o dado e corrói a relação com o mercado que o alimenta.
- Precedente perdido em 2004: a derrota no caso LoopNet consolidou a doutrina do provedor passivo — o CoStar fortaleceu, contra si, a defesa de todas as plataformas que hospedam conteúdo copiado.
Aplicação — O CoStar das Permutas
A sacada da Távola (Ng + Suleyman): cada terreno que passa pela sua mesa, mesmo o recusado, deve virar registro estruturado — 40+ campos. Endereço, matrícula, área, zoneamento, potencial construtivo, preço pedido, proposta feita, motivo da recusa, quem ofertou, quando. Em anos, o histórico de ofertas e recusas é um ativo que ninguém no Brasil tem — porque ninguém registra o que não fechou. Foi exatamente assim que Florance começou: fotografando prédios que ninguém achava que valiam registro.
Frase causal: Em um mercado opaco onde nenhum participante enxerga o todo e o dado negativo não é registrado por ninguém [C], registrar sistematicamente cada transação, oferta e recusa em formato estruturado e proprietário [M] produz um ativo de informação que compõe como juros, torna-se irreplicável pelo custo-tempo da coleta e acaba precificando o acesso ao próprio mercado [R].
Gêmeo brasileiro: o mercado brasileiro de terrenos e permutas em 2026 é os EUA comerciais de 1987 — sem MLS, sem registro central de ofertas, com o dado de recusa simplesmente inexistente. O gêmeo é a base transacional proprietária de originação de terrenos (o playbook PermutaPro): cada terreno analisado vira registro de 40+ campos, fechado ou não. Gatilhos mensuráveis a monitorar enquanto a base cresce: alvarás de construção aprovados por município (proxy de demanda de incorporador por terreno), volume de distratos (proxy de ciclo), avanço do Registro de Imóveis eletrônico/ONR e do ITBI digitalizado (quando o dado público ficar bom, a janela de coletar o dado privado antes dos outros começa a fechar) e lançamentos vs. absorção por praça (Abrainc-Fipe/CBIC) para calibrar onde a série histórica vale mais.
Critérios — como construir (e avaliar) um moat de dados imobiliário no Brasil
| Critério | O que fazer / buscar | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Registrar a recusa, não só o fechamento | Todo terreno/imóvel analisado vira registro estruturado com motivo da recusa, preço pedido e proposta feita. O CoStar registra vacância e listing retirado — o dado negativo é o que precifica risco. | CRM que só guarda negócio ganho. Histórico de "não" jogado fora é o ativo mais raro sendo deletado diariamente. |
| Padronização antes de volume | 40+ campos fixos, preenchimento obrigatório, taxonomia única (zoneamento, vocação, potencial construtivo). Dado padronizado de 200 terrenos vale mais que anotação solta de 2.000. | Cada analista registrando "do seu jeito" — em 3 anos a base não agrega, porque série sem padrão não vira curva. |
| Coleta sistemática, não oportunista | Rotina de atualização com dono, frequência e meta (o CoStar liga, fotografa e atualiza continuamente — avião e drone inclusos). O valor está na série temporal, e série exige disciplina de cadência. | Base alimentada "quando sobra tempo". Buraco de 6 meses na série derruba o valor de todos os anos anteriores. |
| Vender acesso, nunca o dado | Relatórios, dossiês e leituras de mercado por assinatura ou por projeto — o banco cru nunca sai de casa. Foi a decisão que fez o CoStar valer bilhões com disquete e depois com API. | Exportar a planilha completa para o cliente "só dessa vez". Dado entregue cru é moat doado ao mercado. |
| Proteção formal do ativo | Marca d'água em material visual, contratos de confidencialidade, cláusula de não-raspagem, autoria documentada. O moat do CoStar só existe porque é defendido — watermark virou prova em juízo. | Fotos, fichas e análises circulando por WhatsApp sem identificação de origem. O que não é rastreável não é defensável. |
| Ciclo dado ↔ operação fechado | A operação (originação, corretagem, consultoria) alimenta a base e a base melhora a operação — como marketplace e cofre do CoStar. Quem opera coleta de graça o que concorrente pagaria caro. | "Projeto de dados" separado da operação, sem fonte própria de registro. Sem operação alimentando, a base envelhece e vira custo. |
| Não confundir moat de dado com guerra de audiência | Dado proprietário vence em decisão B2B (incorporador, fundo, banco). Marca de consumo vence em audiência B2C. O CoStar domina a primeira e sangra US$ 1 bi na segunda. | Usar o caixa do negócio de dados para comprar audiência de portal — a lição de 2024–2026 do próprio CoStar. |
Onde no Brasil esse mecanismo está aberto agora
O vazio estrutural é nacional: o Brasil não tem MLS, não tem registro central de ofertas e o dado público (cartórios, ITBI, alvarás) é fragmentado por município. Quem opera originação de terrenos, permutas ou landbank em qualquer praça — capitais, cidades médias do interior paulista, Sul, Nordeste em expansão — está sentado num fluxo de dado que ninguém registra. A janela é agora: o Registro de Imóveis eletrônico (ONR/SREI) e a digitalização do ITBI vão melhorar o dado público na próxima década, e o prêmio de quem tem série proprietária anterior só cresce até lá.
Quem já tenta (e onde não chegam): DataZAP (Grupo OLX), Brain Inteligência Estratégica e os índices Abrainc-Fipe/CBIC cobrem listing residencial, pesquisa de lançamento e agregados macro. Nenhum registra o mercado de terrenos: oferta, contraproposta, recusa, condição de permuta. É exatamente o pedaço que o operador captura de graça no dia a dia — e o mais valioso, porque é o dado do que não fechou.
Para quem é a lição: incorporadoras médias (o comitê de terrenos já gera o dado — falta estruturar), consultorias de originação (o dossiê de cada terreno recusado é o produto de amanhã), gestoras de FII e landbank (série proprietária de ofertas = vantagem de underwriting) e qualquer operação de permuta em escala — onde cada mesa de negociação é um sensor de mercado que a concorrência não tem.
O que NÃO copiar: a litigância como primeira arma (nos EUA, copyright de foto tem enforcement barato; no Brasil, o custo reputacional e judicial não compensa para operação média) e a guerra de portal B2C — audiência de consumo é outro jogo, com CAC que só faz sentido para quem já tem bilhões de receita recorrente.
Siglas e Termos-Chave
Onde Estudar — Links Verificados
História, Perfil e Mecânica da Coleta
- The Real DealThe Real Deal — "CoStar's Crusade" (2016) — LEITURA ESSENCIALO perfil definitivo: 1.200 pesquisadores, ~1 mi de fotos/ano, 4,2 mi de imóveis, US$ 1 bi em pesquisa, 31 processos federais desde 2004 — fonte dos números da máquina de coleta
- WikipediaWikipedia — CoStar Group (visão geral e aquisições)Fundação 1987, IPO 1998 (US$ 22,5 mi), lista de aquisições com valores, litígios, funcionários e financeiros consolidados
- EncyclopediaEncyclopedia.com — CoStar Group, Inc. (história corporativa)A fase Realty Information Group: distribuição em disquete, primeiros mercados, construção da operação de pesquisa
- MercadoCompaniesMarketCap — CoStar Group (CSGP) valor de mercado históricoSérie do market cap: ~US$ 35,7 bi (fim de 2023) → ~US$ 12 bi (jul/2026) — fonte da queda de ~63% em 12 meses
- MercadoStockAnalysis — CSGP (financeiros por ano)Receita 2024 (US$ 2,74 bi) e 2025 (US$ 3,25 bi), margens e lucro líquido — checagem cruzada dos releases
Aquisições e a Aposta Residencial
- HousingWireHousingWire — o US$ 1 bilhão de marketing e os 4 anúncios do Super Bowl (2024)A maior campanha da história do setor imobiliário: Homes.com contra Zillow, celebridades e 80 bi de impressões planejadas
- HousingWireHousingWire — CoStar compra o portal britânico OnTheMarket (2023)A expansão internacional residencial: oferta de 110 pence/ação, ~£99 milhões
- MatterportMatterport — conclusão da aquisição pelo CoStar (fev/2025)Release oficial da conclusão — digital twins 3D como nova camada de dado proprietário (~US$ 1,6 bi)
- ProptechProptech Connect — CoStar conclui a compra da Domain (Austrália, ago/2025)Enterprise value de A$ 3,0 bilhões — o playbook levado ao mercado australiano
- STRWikipedia — STR, Inc. (benchmarking hoteleiro comprado em 2019)A compra de US$ 450 milhões que estendeu o modelo de dado proprietário ao setor hoteleiro global
Litígios e Controvérsias
- WikipediaWikipedia — CoStar Group, Inc. v. LoopNet, Inc. (4º Circuito, 2004)A derrota que virou doutrina: provedor passivo não responde por cópia direta — precedente citado até hoje
- BisnowBisnow — o julgamento recorde de US$ 500 mi contra a XceligentA única rival direta em dados comerciais levada à falência (dez/2017); acordo final de US$ 10,75 mi pago por seguradores
- BisnowBisnow — 9º Circuito revive a contra-ação antitruste da CREXi (jun/2025) — LEITURA IMPORTANTEA tese de que o CoStar monopoliza o mercado de dados comerciais é "plausível" e vai a julgamento — o outro lado do moat
- PYMNTSPYMNTS — CoStar recorre à Suprema Corte no caso CREXiO status mais recente da disputa que pode redefinir o limite entre moat de dados e abuso de posição dominante
- HousingWireHousingWire — Move (Realtor.com) desiste do processo de segredo industrialO caso Kaminsky (2024): liminar negada em setembro, ação abandonada sem pagamento — vitória do CoStar como réu
- RE NewsReal Estate News — Zillow remove os tours Matterport em meio à guerra com o CoStar (out/2025)Desdobramento do processo de julho/2025 (46 mil imagens): o dado como arma na guerra dos portais residenciais
Status dos Principais Claims
| Afirmação | Status | Observação |
|---|---|---|
| Fundada em 1987 por Andrew Florance (Realty Information Group), ainda estudante de Princeton | ✓ VERIFICADO | Wikipedia + Encyclopedia.com + The Real Deal — concepção em 1986, fundação em 1987 |
| IPO em 1998 na Nasdaq, captando US$ 22,5 milhões | ✓ VERIFICADO | Wikipedia CoStar Group; ação a ~US$ 9 no IPO (The Real Deal) |
| 1.200 pesquisadores · ~1 mi de fotos/ano · 4,2 mi de imóveis · US$ 1 bi investido em pesquisa | ✓ VERIFICADO | The Real Deal, "CoStar's Crusade" (2016) — números daquele ano, não atuais |
| Operação de pesquisa em Richmond (VA) com fotógrafos, drones certificados FAA e avião próprio | ✓ VERIFICADO | 10-K CoStar + página institucional Homes.com (equipe 1.000+ em Richmond desde 2016) |
| Receita 2024: US$ 2,74 bi (+11%) · Receita 2025: US$ 3,25 bi (+19%) | ✓ VERIFICADO | Releases de resultados CoStar (FY2024 e FY2025) + StockAnalysis |
| Lucro líquido 2025 de apenas US$ 7 milhões | ✓ VERIFICADO | Release FY2025 do CoStar Group — compressão pela ofensiva residencial |
| Market cap: pico ~US$ 35,7 bi (fim de 2023) → ~US$ 12 bi (jul/2026), queda de ~63% em 12 meses | ✓ VERIFICADO | CompaniesMarketCap — 2023: US$ 35,68 bi; jul/2026: US$ 12,25 bi |
| Brief da Távola: "market cap de dezenas de bilhões" | ⚠ CORRIGIDO | Era verdade até 2025 (~US$ 28–36 bi); em jul/2026 é ~US$ 12 bi. O case usa o número atual. |
| LoopNet US$ 860 mi (2012) · Apartments.com US$ 585 mi (2014) · Apartment Finder US$ 170 mi (2015) | ✓ VERIFICADO | Wikipedia + The Real Deal — valores convergentes em múltiplas fontes |
| STR por US$ 450 mi (2019) · Ten-X US$ 190 mi (2020) · Homesnap US$ 250 mi (2020) · Homes.com US$ 156 mi (2021) | ✓ VERIFICADO | Anúncio oficial STR (out/2019) + Wikipedia CoStar Group |
| OnTheMarket ~£99 mi (dez/2023) · Matterport ~US$ 1,6 bi (fev/2025) · Domain A$ 3,0 bi (ago/2025) | ✓ VERIFICADO | HousingWire + release Matterport + Proptech Connect/Corrs |
| CoStar v. LoopNet (2004): CoStar perdeu — provedor passivo não responde por cópia direta | ✓ VERIFICADO | 373 F.3d 544 (4º Cir. 2004) — Wikipedia do caso + registros do 4º Circuito |
| Ao menos 31 processos federais contra usuários e concorrentes desde 2004 | ✓ VERIFICADO | Levantamento The Real Deal (2016) — número era o piso naquele ano |
| Xceligent: processada em dez/2016, falência em dez/2017, julgamento de US$ 500 mi (2019), acordo de US$ 10,75 mi | ✓ VERIFICADO | Bisnow — seguradores pagaram; maior acordo de copyright de imagem registrado |
| 9º Circuito reviveu a contra-ação antitruste da CREXi (jun/2025); CoStar recorreu à Suprema Corte | ✓ VERIFICADO | Bisnow + PYMNTS — alegação "plausível" de monopólio; ainda sem julgamento de mérito |
| Campanha Homes.com: US$ 1 bi com 4 anúncios no Super Bowl 2024 | ✓ VERIFICADO | HousingWire + Inman — inclui conteúdo proprietário de bairros 2023–24 |
| Processo contra o Zillow (jul/2025): 46 mil imagens com watermark | ✓ VERIFICADO | Release CoStar + Real Estate News — Zillow removeu tours Matterport em out/2025 |
| "Monopólio de X% do mercado de dados comerciais" | ✗ NÃO VERIFICADO | Percentuais de share circulam sem fonte primária. "Monopólio" é alegação em juízo (CREXi), não fato julgado. Não usar. |
| "Taxa de renovação de assinaturas de 90%+" e "6 milhões de imóveis na base atual" | ✗ NÃO VERIFICADO | Repetidos em artigos sem fonte primária rastreável. Os números de base verificados são os de 2016 (The Real Deal). Não usar. |