O Ciclo em Imagens
Este é um case de modelo de negócio e política pública, não de um empreendimento único — o objeto é um fenômeno que se espalhou por dezenas de cidades mexicanas. A foto de abertura mostra o produto real: a fôrma de concreto da Urbi despejando casas idênticas sobre terra nua. As imagens abaixo são ilustrativas do contexto: a mancha urbana que o modelo produziu, a caneta que o matou e o investidor que saiu antes.
Clique para ampliar. Fotos sob licença livre (Wikimedia Commons — CC BY / CC BY-SA). O melhor ensaio visual do fenômeno — as fotos aéreas das casas em série infinita — está em acervos com direitos reservados (série Two Million Homes for Mexico, de Livia Corona Benjamin) e por isso não é reproduzido aqui.
O Que Foi o Modelo das Vivienderas
Entre 2000 e 2012, o México executou o maior programa de produção habitacional da América Latina. O motor era o INFONAVIT — fundo criado em 1972 e alimentado por contribuição compulsória sobre a folha salarial — que passou a conceder crédito hipotecário em escala industrial: 1,88 milhão de financiamentos no sexênio Fox (2001–2006) e 2,96 milhões no sexênio Calderón (2007–2012), chegando à casa de meio milhão de créditos por ano. Somava-se a isso o subsídio direto da CONAVI para o comprador de baixa renda. Do lado da oferta, três empresas de capital aberto — as vivienderas — industrializaram a resposta: Corporación Geo (Cidade do México, origem em 1973), Urbi (Mexicali, 1981) e Homex (Culiacán, 1989).
A equação do negócio era simples e brutal: comprar terra rural barata na periferia distante, moldar casas de concreto de 40–60 m² em série (a foto de abertura mostra a fôrma da Urbi fazendo exatamente isso), e vender para um comprador cuja capacidade de pagamento era criada pelo crédito INFONAVIT e pelo subsídio federal. Quanto mais barata a terra, maior a margem — e a terra mais barata ficava cada vez mais longe da cidade. O land bank rural virou o ativo central do modelo e a métrica que o mercado de capitais premiava.
Dados Verificados — As Três Gigantes no Auge
Dados Verificados — A Máquina de Demanda Pública
Dados Verificados — O Colapso
Linha do Tempo — 1972 a 2019
Criação do INFONAVIT — o fundo habitacional dos trabalhadores que se tornaria a maior máquina de crédito hipotecário da América Latina. Geo nasce em 1973, Urbi em 1981, Homex em 1989.
Governo Fox transforma habitação em política de volume: o INFONAVIT passa a priorizar quantidade de créditos. As vivienderas escalam a produção em terra rural periférica, cada vez mais longe do emprego.
Sam Zell e Gary Garrabrant (Equity International) investem US$ 32 milhões na Homex, então uma construtora regional de Culiacán. A tese: demanda infinita criada pelo funding público + operador industrial.
Homex lista na NYSE e na BMV, captando ~US$ 141 milhões. Urbi faz IPO na BMV com US$ 183 milhões e demanda 4x a oferta. O capital global compra a tese da casa popular mexicana.
Auge do boom. Geo vende o recorde de 37.343 casas em 2005; a Homex compra a rival Casas Beta e ultrapassa 50 mil casas/ano. Em dezembro de 2005, a participação da Equity International na Homex já vale ~US$ 350 milhões; Zell vende o restante em abril de 2008 — múltiplo total da ordem de 17x, segundo fontes de mercado.
O censo do INEGI registra ~5 milhões de moradias desabitadas no país — muitas em conjuntos periféricos recém-entregues, sem água, luz, transporte ou emprego. O cliente estava abandonando o produto. O mercado ignora o sinal e segue premiando land bank.
A canetada. Em 11 de fevereiro, Peña Nieto anuncia a nova Política Nacional de Vivienda: prioridade a adensamento intraurbano, verticalização e subsídio condicionado a perímetros de contenção urbana. O land bank rural das três — comprado com dívida — perde o cenário que lhe dava valor. Ações despencam, os bônus entram em default em cascata (Homex deixa de pagar em julho o cupom dos títulos de US$ 250 milhões). As três perdem US$ 1,7 bilhão de valor de mercado em 11 meses.
Colapso em cascata. Geo pede concurso mercantil pré-acordado em março e é declarada em abril, com 15 subsidiárias. Homex é declarada em 13 de junho, em Culiacán. Urbi protocola o pedido em dezembro (declarada em janeiro de 2015, em Mexicali). Trading suspenso, Homex deslistada da NYSE.
Reestruturações: credores ficam com 80–92,5% do capital da Homex, que emerge sob novos donos em outubro de 2015; Geo emerge no mesmo ano com credores detendo ~88%; Urbi sai do concurso em fevereiro de 2016 após reestruturar MXN 33 bilhões.
A fraude revelada. Em 3 de março, a SEC acusa a Homex de reportar vendas fictícias de mais de 100 mil casas entre 2010 e 2013 — unidades vendidas infladas em ~317% e receita em ~355% (~US$ 3,3 bilhões). A prova: imagens de satélite de alta resolução mostrando terra nua onde os balanços diziam haver bairros prontos e vendidos. Acordo: injunção permanente e 5 anos fora do mercado de capitais dos EUA. Ex-executivos são processados na sequência.
Epílogo. A reestruturação da Geo fracassa; a corte declara a quebra definitiva com efeitos a partir de março de 2019. Homex sobrevive em escala mínima. Urbi opera como fração do que foi. O setor que produzia meio milhão de casas por ano deixou como herança milhões de casas vazias na periferia.
Mecanismo — Por Que as Três Quebraram Juntas
1. A demanda não era do mercado — era do orçamento
O comprador das vivienderas não escolhia a casa: o crédito escolhia por ele. O trabalhador formal tinha direito ao financiamento INFONAVIT e, nas faixas baixas, ao subsídio CONAVI — e o único produto que cabia nesse crédito era a casa de série na periferia. Isso significa que o preço, o volume e a localização da demanda eram parâmetros de política pública, não variáveis de mercado. Enquanto a regra premiava volume, o modelo imprimia dinheiro. Mas um modelo cuja demanda nasce de uma regra morre quando a regra muda.
O detalhe cruel: o sinal de exaustão já era público três anos antes da canetada. O censo de 2010 contou ~5 milhões de moradias desabitadas — o cliente recebia a chave, descobria que não havia água, transporte nem emprego a 40 km do centro, e abandonava a casa (ou nunca se mudava). A demanda contábil seguia crescendo; a demanda real já tinha ido embora.
"Se hicieron desarrollos que no cuentan, hasta la fecha, con servicios básicos como agua o electricidad."
→ "Foram feitos empreendimentos que não contam, até hoje, com serviços básicos como água ou eletricidade."
— Carlos Martínez Velázquez, diretor-geral do INFONAVIT, sobre a herança do modelo (El Universal / BBC)
2. O land bank como aposta alavancada em uma linha do orçamento
O mercado de capitais premiava reserva territorial: quanto mais hectares no balanço, maior o "potencial de crescimento". As três estocaram terra rural comprada com dívida — inclusive bônus em dólar vendidos a investidores globais. Esse land bank só valia alguma coisa no cenário em que o subsídio continuasse pagando casa na periferia. Não era um ativo imobiliário; era um derivativo da política habitacional, com alavancagem em moeda forte.
Quando a Política Nacional de Vivienda de fevereiro de 2013 redirecionou o sistema para adensamento intraurbano — subsídio condicionado a perímetros de contenção urbana, prioridade a moradia vertical perto de emprego —, a terra rural voltou a valer o que vale terra rural sem cidade: quase nada. As três tiveram de reconhecer baixas contábeis maciças sobre o ativo central do balanço, com a dívida intacta do outro lado. Sem caixa (a Homex tinha menos de US$ 13 milhões em setembro de 2013 para uma dívida de ~US$ 2,5 bilhões), o default foi questão de meses — e o concurso mercantil, de um ano.
3. A métrica-rei produziu a fraude
Quando o mercado paga por volume, a gestão entrega volume — real ou não. A Homex, pressionada a mostrar crescimento enquanto o modelo já rachava, passou a reportar vendas de casas que não existiam. Entre 2010 e 2013, inflou as unidades vendidas em ~317% e a receita em ~355%. A SEC provou a fraude com uma ferramenta nova: imagens de satélite. Num empreendimento em Guanajuato que os balanços davam como 100% construído e vendido em 31 de dezembro de 2011, o satélite registrou, em 12 de março de 2012, terra nua.
A ironia histórica: o mesmo olho no céu que revelou aos urbanistas o mar de casas idênticas e vazias revelou aos reguladores as casas que nunca existiram. No modelo das vivienderas, a paisagem e o balanço mentiam na mesma escala.
"Homex deprived investors of accurate financial results by reporting key numbers that were almost completely made up."
→ "A Homex privou os investidores de resultados financeiros precisos ao reportar números-chave que eram quase completamente inventados."
— Stephanie Avakian, diretora interina de Enforcement da SEC · 3 de março de 2017
"We used high-resolution satellite imagery and other innovative techniques to unearth that tens of thousands of purportedly built-and-sold homes were nothing but bare soil."
→ "Usamos imagens de satélite de alta resolução e outras técnicas inovadoras para revelar que dezenas de milhares de casas supostamente construídas e vendidas não passavam de terra nua."
— Melissa Hodgman, diretora associada de Enforcement da SEC · caso Homex, 2017
4. O timing de Zell — entrar na regra, sair no múltiplo
A Equity International entrou na Homex em 2002, quando a política de volume de Fox estava começando e a empresa era um operador regional: US$ 32 milhões. Ajudou a profissionalizar, levou a empresa à NYSE em 2004 e começou a vender cedo — em dezembro de 2005 a participação já valia ~US$ 350 milhões e Zell já reduzia posição. Em abril de 2008, vendeu as últimas ações; fontes de mercado estimam múltiplo total da ordem de 17x. Cinco anos depois, o patrimônio dos acionistas da Homex foi praticamente zerado no concurso mercantil.
A leitura importa mais que o número: Zell não saiu porque previu a canetada de 2013. Saiu porque o múltiplo estava obsceno para um negócio cuja demanda dependia de decisão de governo — e porque a regra de ouro do investidor de ciclo é que liquidez extraordinária existe para ser usada. Quem ficou para capturar "o resto da alta" ficou com o papel na mão quando a regra mudou.
Acertos e Erros
A síntese honesta do ciclo — o que o modelo entregou e o que ele destruiu. Detalhes e fontes nas seções O Quê, Por Quê e Fontes.
- Escala industrial real: quase 5 milhões de créditos concedidos em dois sexênios — o déficit habitacional foi atacado com máquina de produção de verdade, não com projeto-piloto.
- Funding resolvido na origem: o INFONAVIT (contribuição compulsória sobre a folha) criou demanda financiável em massa — o gargalo clássico da habitação popular, o crédito ao comprador, estava equacionado.
- Acesso a capital global: Homex na NYSE, Urbi com IPO 4x subscrito — o setor provou que casa popular emergente atrai capital institucional quando há máquina + demanda garantida.
- O timing de Zell: entrar quando a regra nasce (2002), profissionalizar, listar e sair quando o múltiplo fica obsceno (2005–2008) — o manual do investidor de ciclo executado à perfeição.
- Deixou jurisprudência útil: os três concursos mercantiles pré-acordados testaram e validaram a lei de falências mexicana reformada — e o caso SEC criou o precedente do enforcement por satélite.
- Modelo mono-variável: 100% da demanda dependia de uma linha do orçamento federal e das regras de enquadramento do subsídio — nenhum plano B para o cenário sem subsídio.
- Land bank rural alavancado em dólar: terra que só valia com a regra vigente, financiada com bônus em moeda forte — a canetada virou evento de crédito instantâneo.
- Casa sem cidade: conjuntos a dezenas de km do emprego, sem água, luz ou transporte — ~5 milhões de moradias desabitadas no censo de 2010, 650 mil delas compradas com crédito INFONAVIT e abandonadas.
- Volume como métrica-rei: o mercado pagava por casas escrituradas e hectares estocados, não por margem ou qualidade urbana — e a gestão entregou exatamente o que era premiado, até inventar 100 mil vendas.
- Sinal ignorado: o censo de 2010 mostrou o abandono em massa três anos antes da mudança de política — quem lia paisagem, e não balanço, saiu a tempo.
- Custo humano e fiscal: famílias pagando hipoteca de casas invendáveis, bairros-fantasma tomados pelo vandalismo e um passivo urbano que o Estado mexicano administra até hoje.
Aplicação — O Espelho Direto do MCMV Brasileiro
A sacada da Távola, na voz de Zell: land bank de loteamento popular é aposta alavancada em uma linha do orçamento público. Antes de comprar terra para esse mercado, pergunte: "que canetada mata este modelo?" Se a resposta é uma portaria — não uma lei, não uma emenda constitucional, uma portaria —, então o terreno deve ser avaliado pelo que vale no cenário SEM subsídio. E se o mercado pagar múltiplo obsceno pela sua posição enquanto a regra vigora, a lição de 2002–2008 é: venda.
Frase causal: Quando a demanda do produto nasce de uma linha do orçamento público e das regras de enquadramento do subsídio [C], estocar terra periférica alavancada que só tem valor nesse cenário [M] transforma uma portaria ministerial em evento de crédito — a canetada reprecifica o land bank a valor de terra sem cidade e derruba as empresas em cascata [R].
Gêmeo brasileiro: o Minha Casa Minha Vida é o INFONAVIT+CONAVI em português — crédito FGTS + subsídio federal definindo quem compra, a que preço e onde. O correspondente atual das vivienderas são as incorporadoras 100% focadas no econômico e os loteadores de periferia metropolitana cujo VGV depende do enquadramento nas faixas do programa, no ciclo pós-2023 de MCMV reforçado. Gatilhos mensuráveis a monitorar: orçamento do FGTS para habitação e portarias do Ministério das Cidades (mudança de teto, de faixa ou de exigência de localização = a canetada), % das vendas do player dependente de subsídio/enquadramento (acima de ~80% = modelo mono-variável), distratos e vacância em conjuntos periféricos (Abrainc-Fipe; vacância crescente = o "censo de 2010" brasileiro) e alvarás/lançamentos vs. absorção por raio de distância do emprego — oferta periférica crescendo mais rápido que a venda líquida é o padrão viviendera.
Critérios para ler loteamento popular no Brasil — teste da canetada
| Critério | O que verificar antes de comprar terra | Sinal de alerta (padrão viviendera) |
|---|---|---|
| Dependência de subsídio | Qual % do funil de compradores só existe com FGTS + subsídio federal? O produto pararia em pé com juro de mercado? Estresse o fluxo com a faixa do programa fechada. | Mais de ~80% das vendas dependem de enquadramento no programa — a receita é uma linha do orçamento com CNPJ |
| Valor da terra sem o cenário | Avalie o terreno pelo uso alternativo real (agrícola, logístico, nada). A diferença entre o preço pago e esse piso é o tamanho da aposta na continuidade da regra. | Terra periférica comprada por preço que só o subsídio justifica — derivativo de portaria, não ativo imobiliário |
| Alavancagem sobre o land bank | Terra estocada com capital próprio sobrevive à mudança de regra; terra estocada com dívida (pior: indexada ou em moeda forte) não. Case México: bônus em dólar sobre terra rural. | Dívida corporativa lastreada em "potencial" de reserva territorial dependente de programa público |
| Cidade de verdade no entorno | Emprego, transporte, água, escola a distância real do lote. Casa sem cidade é estoque futuro de abandono — o censo mexicano de 2010 é o precedente empírico. | Conjuntos entregues no entorno com vacância visível, vandalismo ou inadimplência alta — o cliente já está devolvendo o produto |
| Métrica que o capital premia | Se o mercado (ou o sócio capitalista) paga por unidades lançadas e hectares estocados, a operação vai maximizar isso — inclusive contra a margem. Exija métrica de absorção real e margem por projeto. | Gestão celebrando land bank e VGV lançado com margem caindo — o incentivo que produziu a fraude da Homex |
| Timing de saída | Enquanto a regra vigora e o múltiplo sobe, tenha preço de venda definido para a posição (terra ou participação). Zell saiu com a regra ainda válida — o lucro se realiza antes da canetada, nunca depois. | "Vamos esperar mais um ciclo do programa" com múltiplo recorde — foi o raciocínio de quem ficou até 2013 |
Onde no Brasil esse mecanismo está armado agora
Periferias metropolitanas movidas a MCMV: os cinturões de expansão das regiões metropolitanas onde o lançamento econômico domina o alvará — periferia de São Paulo e Grande SP leste/norte, Baixada Fluminense, entorno de capitais do Nordeste, eixos de expansão de Goiânia e Brasília. É onde a razão "vendas com subsídio / vendas totais" está mais próxima de 100% — e onde o teste da canetada deve ser aplicado lote a lote.
O sinal a vigiar em nível nacional: o orçamento do FGTS para habitação popular e as portarias de enquadramento do Ministério das Cidades são o equivalente funcional da Política Nacional de Vivienda de 2013. Uma mudança de prioridade — por exemplo, exigência de localização intraurbana, como o México fez — reprecificaria da noite para o dia todo land bank periférico comprado para o programa. Quem carrega terra alavancada nesse cenário está vendido em portaria sem saber.
O que o Brasil já viveu em miniatura: a rodada 2011–2016 (estouro de custo na faixa 1, distratos em massa, recuperações judiciais de incorporadoras listadas — Case #14 da biblioteca de Prédios Residenciais) foi o ensaio brasileiro do padrão viviendera. A diferença mexicana é o grau: lá, a política não desacelerou — ela mudou de alvo, e o modelo inteiro morreu de uma vez.
O que NÃO se aplica: loteamento aberto de classe média em cidade do interior com demanda própria (emprego local, migração real) não é aposta em portaria — o comprador existe sem o programa. O teste da canetada separa exatamente esses dois mundos: pergunte sempre de onde nasce o comprador marginal.
Siglas e Termos-Chave
Onde Estudar — Links Verificados
Fontes Primárias e Regulatórias
- SECSEC Press Release 2017-60 — Homex, US$ 3,3 bi de fraude contábil — FONTE PRIMÁRIAComunicado oficial de 3/mar/2017: +100 mil casas fictícias, vendas infladas 317%, receita 355%, satélite em Guanajuato, termos do acordo. Cópia estável no Internet Archive (o site da SEC bloqueia acesso automatizado).
- DOFDiário Oficial da Federação — Programa Nacional de Vivienda 2014–2018Texto oficial da nova política habitacional — a formalização da canetada: contenção urbana, adensamento, redirecionamento do subsídio
- Gob.mxSEDATU — A vivienda como setor estratégico (discurso de Peña Nieto)Posição oficial do governo Peña Nieto sobre a política habitacional — a narrativa do próprio autor da mudança
- Cleary GottliebMexican Homebuilders Emerging from Bankruptcy (Emerging Markets Restructuring Journal) — LEITURA ESSENCIALAnálise jurídica dos três concursos mercantiles pré-acordados por escritório que atuou nas reestruturações — o mecanismo legal do colapso em cascata
O Colapso — Cobertura de Época
- Financier WWFinancier Worldwide — Homex files for bankruptcy protectionDívida de ~US$ 2,5 bi, caixa < US$ 13 mi, default de julho/2013, perda de US$ 1,7 bi de valor de mercado das três em 11 meses, mecânica da mudança de política
- ExpansiónExpansión — Geo solicita concurso mercantil (20/mar/2014)O pedido pré-acordado da Geo com Banamex, HSBC, Banorte, Santander, Inbursa e BBVA Bancomer
- La JornadaLa Jornada — Declaran a Geo en concurso mercantil junto con 15 filiales (22/abr/2014)A declaração judicial do concurso da Geo — data e escopo (15 subsidiárias)
- ExpansiónExpansión — Homex entra en concurso mercantil (16/jun/2014)Declaração de 13/jun/2014 pelo juiz federal de Culiacán — a maior das três quebras
- ExpansiónExpansión — Urbi solicita concurso mercantil preacordado (02/dez/2014)O pedido da Urbi em Mexicali para reestruturar MXN 33 bilhões — a última das três a cair
- ObrasObras/Expansión — Urbi sale del concurso mercantil (16/fev/2016)O fechamento do ciclo de reestruturações: capitalização de ~MXN 53,9 bi e saída judicial
- El FinancieroEl Financiero — EPN anuncia plan nacional de vivienda (fev/2013)Cobertura do anúncio de 11/fev/2013 em Los Pinos — o dia da canetada
A Fraude por Satélite
- Accounting TodayAccounting Today — Fraud exposed by satellite imagesCobertura técnica do caso SEC com os números da acusação e o método probatório
- SecLawyer101Securities Lawyer 101 — SEC uses satellite images to nail HomexAnálise jurídica do precedente: sensoriamento remoto como prova em fraude contábil
Empresas, Zell e a Herança Urbana
- WikipediaWikipedia EN — Homex (bem referenciado)Cronologia consolidada: fundação, IPO, Equity International, concurso, SEC, situação atual
- Crain'sCrain's Chicago Business — Sam Zell selling part of his stake in Mexican builder (dez/2005)Documento de época: os US$ 32 mi de 2002 valendo ~US$ 350 mi em dez/2005 — e Zell já vendendo
- EncyclopediaEncyclopedia.com — Corporación Geo, S.A. de C.V. (história empresarial)Origem 1973, Luis Orvañanos, recorde de 37.343 casas em 2005, modelo de negócio
- EncyclopediaEncyclopedia.com — Urbi Desarrollos Urbanos, S.A. de C.V.Fundação 1981 em Mexicali, Cuauhtémoc Pérez Román, IPO de 2004 com US$ 183 mi
- BBCBBC Mundo (via T13) — Por que o México tem 5 milhões de casas desabitadas — LEITURA IMPORTANTEA herança urbana do modelo: censo, abandono, depoimento do diretor do INFONAVIT
- El UniversalEl Universal — Por qué en México hay 5 millones de casas deshabitadasFonte dos dados de moradia desabitada e da citação de Carlos Martínez Velázquez (INFONAVIT)
Status dos Principais Claims
Conferência das afirmações deste case — e do brief original da Távola — contra fontes primárias e cobertura de época. Onde o brief errou, o texto foi corrigido e o erro está documentado abaixo.
| Afirmação | Status | Observação |
|---|---|---|
| Homex fundada em 1989 em Culiacán, Sinaloa | ✓ VERIFICADO | Wikipedia EN (Homex), múltiplas fontes convergentes |
| Homex listou na NYSE (HXM) e BMV em 2004, captando ~US$ 141 mi | ✓ VERIFICADO | Wikipedia EN + PERE ("four years after helping the company list", abr/2008) |
| Equity International investiu ~US$ 32 mi na Homex em 2002 | ✓ VERIFICADO | Crain's Chicago Business (2005) + Wikipedia (Homex / Equity International) |
| Participação da EI valia ~US$ 350 mi em dez/2005; saída total em abr/2008 | ✓ VERIFICADO | Crain's (19/dez/2005) + PERE (28/abr/2008) |
| Retorno total da EI na Homex de ~17x | ⚠ PARCIAL | Fontes secundárias (Kapital Privado; imprensa de PE); ordem de grandeza consistente com Crain's, mas sem divulgação primária auditada. Usado com ressalva no texto. |
| Urbi fundada em 1981 em Mexicali por Cuauhtémoc Pérez Román; IPO 2004 na BMV (US$ 183 mi, 4x subscrito) | ✓ VERIFICADO | Encyclopedia.com (história empresarial da Urbi) |
| Geo criada em 1973 na Cidade do México por Luis Orvañanos | ⚠ VARIAÇÃO | Encyclopedia.com e histórias empresariais citam 1973; registros societários citam constituição em 1981. Texto usa "origem em 1973". |
| Geo: recorde de 37.343 casas vendidas em 2005; +510 mil casas na história; US$ 1,4 bi de receita e 23.724 empregados em 2012 | ✓ VERIFICADO | Encyclopedia.com + Wikipedia EN (Casas GEO) |
| Homex saltou de ~5 mil para 50 mil+ casas/ano no auge | ✓ VERIFICADO | Wikipedia EN (Homex) — inclui aquisição da Casas Beta (2005) |
| INFONAVIT criado em 1972; 1,88 mi de créditos no sexênio Fox e 2,96 mi no sexênio Calderón; ~500 mil/ano no pico | ⚠ PARCIAL | Números dos sexênios reportados por La Jornada/SinEmbargo a partir de dados do próprio INFONAVIT; convergentes entre fontes jornalísticas, sem série oficial aberta consultada diretamente |
| Censo 2010 (INEGI): ~5 milhões de moradias desabitadas, de 35,2 milhões totais | ✓ VERIFICADO | El Universal + BBC Mundo + literatura acadêmica (Revista INVI) |
| ~650 mil imóveis comprados com crédito INFONAVIT em situação de abandono | ⚠ PARCIAL | Reportado por La Jornada (2024) citando o INFONAVIT; número varia por corte e ano entre fontes |
| Peña Nieto anunciou a nova Política Nacional de Vivienda em 11/fev/2013 | ✓ VERIFICADO | El Financiero + SEDATU + 24 Horas — anúncio em Los Pinos |
| A política de 2013 redirecionou subsídio para adensamento intraurbano via perímetros de contenção urbana | ✓ VERIFICADO | DOF — Programa Nacional de Vivienda 2014–2018 + SEDATU + Oxford Business Group |
| As três perderam US$ 1,7 bi de valor de mercado nos primeiros 11 meses de 2013 | ✓ VERIFICADO | Financier Worldwide |
| Homex: default em jul/2013 (bônus US$ 250 mi), dívida ~US$ 2,5 bi e caixa < US$ 13 mi em set/2013 | ✓ VERIFICADO | Financier Worldwide |
| Passivo total da Homex no concurso mercantil | ⚠ VARIAÇÃO DE FONTE | Wikipedia EN cita ~MXN 98 bi em reclamações reconhecidas ("maior dívida a entrar no processo"); Financier Worldwide cita ~US$ 2,5 bi de dívida financeira. Escopos diferentes — o texto usa o dado de dívida financeira. |
| Geo: pedido de concurso pré-acordado em mar/2014; declarada com 15 subsidiárias em abr/2014 | ✓ VERIFICADO | Expansión (20/mar/2014) + La Jornada (22/abr/2014) |
| Homex declarada em concurso mercantil em 13/jun/2014, em Culiacán | ✓ VERIFICADO | Expansión (16/jun/2014) + El Universal (arquivo) |
| Urbi: pedido em dez/2014; declarada em jan/2015 (Mexicali); saída em fev/2016; dívida reestruturada de MXN 33 bi | ✓ VERIFICADO | Expansión (02/dez/2014) + El Financiero + Obras/Expansión (16/fev/2016) |
| SEC (03/mar/2017): +100 mil vendas fictícias, unidades infladas ~317%, receita ~355% (~US$ 3,3 bi), 2010–2013; satélite provou terra nua em Guanajuato (imagens de 12/mar/2012 vs. "tudo vendido" em 31/dez/2011) | ✓ VERIFICADO | SEC Press Release 2017-60 + Accounting Today + CNN Money |
| Acordo SEC: injunção permanente + 5 anos proibida de ofertar títulos nos EUA, sem multa pecuniária (empresa em reestruturação) | ✓ VERIFICADO | SEC 2017-60 + Wikipedia EN; ex-executivos processados na sequência (2017) |
| Geo: quebra definitiva declarada com efeitos a partir de mar/2019 | ✓ VERIFICADO | Wikipedia EN (Casas GEO, citando Reuters) + La Jornada (nov/2018) |
| Claim do brief: "Urbi e Geo também chegaram à NYSE" | ✗ INCORRETO | Só a Homex listou na NYSE. Urbi negociava na BMV (IPO 2004); Geo na BMV desde os anos 1990 e no Latibex (Madri) a partir de 2005. Corrigido em todo o case. |
| Claim do brief: "as três quebraram em cascata (concurso mercantil 2014)" | ⚠ PARCIAL | Geo e Homex foram declaradas em 2014; a Urbi protocolou em dez/2014 mas só foi declarada em jan/2015. Cascata correta; ano único, impreciso. |
| "Homex era a maior construtora da América Latina" (variante que circula) | ✗ NÃO VERIFICADO | Título alternado entre Homex e Geo conforme o ano e a métrica (unidades vs. receita). Não usar sem especificar métrica e ano. |